O biofeedback tem sido apontado como um instrumento eficaz no tratamento de diversas patologias e sua utilização na reabilitação física tem sido crescente nas últimas décadas. Além do tratamento de doenças, o biofeedback também pode auxiliar atletas a atingir seu nível máximo de performance e mantê-lo nos momentos mais convenientes.
É uma técnica revolucionária, ainda pouco conhecida no Brasil, que utiliza equipamentos de alta tecnologia para captar processos fisiológicos, a princípio imperceptíveis ao homem, e transformá-los em atividades possíveis de controle voluntário. Significa: obter informações (feedback) sobre o funcionamento de sistemas orgânicos. Este é o nome dado a um tipo de treinamento, que permite desenvolver autocontrole sobre alguns sistemas do corpo e, assim, obter efeitos terapêuticos e melhora na qualidade de vida.
Com sensores de última geração o computador transforma sinais como: atividades cerebrais, resposta galvânica da pele, tensão muscular , pressão arterial, temperatura periférica e frequência cardíaca em informações perceptíveis e passíveis de controle. Desta forma, o equipamento possibilita o aprendizado humano para o controle de suas funções orgânicas de forma a prevenir ou eliminar doenças e reabilitar fisicamente pessoas que perderam movimentos corporais por danos cerebrais ou lesões medulares parciais (ex: tumores do sistema nervoso central, traumatismo craniano etc...). Várias personalidades brasileiras já tiveram sua recuperação proporcionada pelo biofeedback, entre elas, o compositor e cantor Herbert Viana , o radialista Osmar Santos, o embaixador Paulo Tarso Flecha de Lima e o pianista João Carlos.
A aprendizagem se dá por meio de estímulos reforçadores que consiste nas próprias respostas fisiológicas do indivíduo, sendo este levado a controlar suas respostas fisiológicas. Por meio de procedimentos de biofeedback o indivíduo toma consciência de respostas de seu organismo que comumente não seriam perceptíveis sem o uso de instrumentos próprios, que convertem os dados sobre o estado biológico em informação acessível para o sujeito.
Vantagens do Biofeedback
a - Não medicamentoso.
b - Indolor.
c - Auxilia no processo de reabilitação motora e funcional.
d - Melhora o nível de auto percepção.
e - Método motivador.
f - Incentiva a partir do sucesso.
g - Provê uma valiosa fonte de informação terapêutica e diagnóstica.
h - Provê documentação de todas as informações que capta, inclusive das mudanças fisiológicas entre sessões e ao longo do tempo.
i - Permite e facilita a aceitação de terapias para as pessoas que, algumas vezes, resistem a outras terapias.
j - Promove avanços terapêuticos com pouco ou nenhum efeito colateral para vasta maioria dos pacientes.
O método pode ser eficaz no tratamento de diversas patologias como:
· Dores crônicas (nas costas, pescoço, ombros e outras dores musculares)
· Dores de cabeça (enxaqueca: vascular, muscular)
· Problemas ginecológicos (infecções pélvicas)
· Hipertensão (baixar a pressão)
· Doenças relacionadas à ansiedade (fobias, ansiedade em geral, ataques de pânico)
· Problemas cardiovasculares (doença do Raynaud, angina de peito)
· Doenças gastrintestinais (colite, úlcera, diarréia, constipação, acidez no estômago)
· Artrite e fibrosite (músculo esquelético e dor/inflamação nas articulações)
· Distúrbios do sono (hipersônia, insônia)
· Distúrbios alimentares (bulimia, anorexia, obesidade)
· Bruxismo (ATM - Articulação Têmporo-mandibular)
. Défict de Atenção
. Controle de esfíncteres
. Incontinência urinária
. Fibromialgia
. Paralisias ( lesões medulares incompletas, AVC- Acidente Vascular Cerebral, TCE - Traumatismo .Crâneo-encefálico, Paralisia-Cerebral)
· Controle do Estresse
. Bursite
Modalidades e Aplicações
As modalidades de biofeedback mais utilizadas são:
Eletrodérmica (GSR)
Térmica (TEMP)
Eletromiográfica (EMG)
Eletroencefalográfica ou neurofeedback (EEG)
GSR - Resposta galvânica da pele
O instrumento de feedback de reação eletrodérmica mede a condutividade elétrica da pele dos dedos e da palma da mão e se faz por meio da passagem de uma microcorrente elétrica insensível pela superfície da pele, medindo-se a resistência a essa passagem. Quando as glândulas sudoríparas estão ativas a resistência da passagem da corrente diminui. Em caso contrário a resistência aumenta. A medida da resistência elétrica traduz a atividade ou inatividade das glândulas sudoríparas as quais, por sua vez, são um reflexo da atividade do sistema nervoso simpático. Assim, a análise do padrão de resposta elétrica da pele permite estabelecer a relação entre estado emocional e a atividade do sistema simpático, deste modo, encontrar a melhor condição para cada indivíduo em particular. Essa técnica tem sido usada no tratamento da sudorese excessiva, relaxamento, treinamento de dessensibilização e Estresse.
TEMP - Temofeedback
Um instrumento de feedback termal mensura o fluxo sanguíneo da pele e consiste em alterar a temperatura nos dedos das mãos ou dos pés, variação esta em íntima correlação com as condições de vasodilatação e vasoconstricção neste locais. A vasodilatação é acompanhada de aumento de temperatura, ao contrário da vasoconstricção. Também se podem avaliar as condições emocionais do sujeito, expressas pela ativação e desativação do sistema nervoso simpático e parassimpático. Desta forma, o controle vasomotor pode ser treinado e condicionado. O feedback de temperatura dos dados é uma ferramenta útil em treinamento de relaxamento e é também utilizado em tratamento de disturbios vasculares específicos, incluindo enxaqueca, doença de Raynaud , hipertensão essencial e complicações vasculares.
EMG - Eletromiografia
O feedback eletromiográfico mensura a atividade elétrica dos músculos esqueléticos, a qual expressa o grau de contração ou relaxamento dos mesmos. Desta maneira é possível treinar o indivíduo a utilizar a musculatura quando for indicado, ou , então, produzir um relaxamento físico. É usado para treinamento de relaxamento de musculatura específica e é a modalidade primária para o tratamento de cefaléia de tensão, bruxismo e problemas da articulação têmporo-mandidular, dor crônica, espasmo muscular, paralisia parcial, (traumatismos craniano, AVC, paralisia cerebral e lesado medular) e outras disfunções musculares.
EEG - Neurofeedback
O Neurofeedback ou feedback eletroencefalográfico consiste em medir as ondas elétricas do cérebro, tal como acontece no eletroencefalograma clássico. Pode-se então, treinar o indivíduo a aumentar ou diminuir a produção (amplitude e ou freqüência) de qualquer uma das faixas de ondas cerebrais, conforme o estado físico e subjetivo que se almeja alcançar. Técnicas de biofeedback de EEG são utilizadas no tratamento de epilepsia, distúrbio de déficit de atenção em crianças, adolescentes e adultos, alcoolismo, dependência química e outros distúrbios devidos a drogadicção, traumatismo craniano, desordem de sono e insônia, depressão e distúrbio do pânico.
Existe também a modalidade:
ECG - (feedback cardíaco) - onde se mede e se controla a frequência e a pressão arterial e o feedback respiratório, onde se controla o tipo de respiração (torácica e diafragmática) e a frequência respiratória.
Outras Modalidades:
Instrumentos especializados tem sido desenvolvidos para facilitar a auto regulação em uma variedade de distúrbios orgânicos relacionados ao estresse, tais como arritmias cardíacas, incontinência urinária, incluindo enurese noturna problemas respiratórios e síndrome do colo irritável.
O Hospital Albert Eintein, em São Paulo, instituiu um programa de reabilitação com técnica de Biofeedback como modalidade terapêutica integrante do processo de Fisioterapia para auxiliar indivíduos com distúrbios do movimento.
No hospital a terapia com Biofeedback é realizada colocando-se eletrodos sobre a pele que recobre o músculo a ser trabalhado. Estes eletrodos captam e transmitem ao computador um sinal eletromiográfico que corresponde à resposta do músculo contraído. Este sinal é transformado em linhas luminosas com variedade de cores na tela do computador, permitindo ao paciente visualizar a contração ou relaxamento do grupo muscular trabalhado e o quanto esse alcance está próximo à meta estabelecida pelo fisioterapeuta.
Está sendo utilizado na reabilitação de lesões como: disfunção fêmuro-patelar, subluxação patelar, condromalácia, lesões do manguito rotador, distensões de isquiotibiais, ombro congelado, transferências músculo tendíneas; lesão medular parcial, Síndrome de Guillain-Barré, acidente vascular cerebral, paralisia cerebral, traumatismo craniano, neuropatias e paralisia facial, além de ser utilizada como recurso de relaxamento em alguns casos de cefaléias.
O programa conta inicialmente de uma avaliação para determinar o grau de capacidade e funcionalidade do paciente. O biofeedback será aplicado no mínimo por 5 sessões com duração de 1 hora.
É esperado que o paciente obtenha maior controle e consciência da contração e do relaxamento muscular. É um método altamente estimulante para o paciente e com evidências na literatura de que programa de reabilitação física associado ao biofeedback potencializa os resultados.
Está contra-indicado em situações de músculos plégicos ou sem possibilidade fisiológica de contração muscular voluntária; alterações de funções corticais superiores (afasia de compreensão, apraxia motora); alteração de concentração, compreensão e deficiência mental ou visual importante.
O tratamento com Biofeedback não substitui a Fisioterapia clássica, mas pode trazer grandes benefícios quando utilizado como terapia complementar.
http://www.einstein.br/Hospital/reabilitacao/fisioterapia/Paginas/programa-de-reabilitacao-com-tecnica-de-biofeedback.aspx
Autora: Valquiria de Almeida Dangui
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