A idéia romântica de que basta um tênis, uma bermuda e uma estrada para se aventurar na corrida tem seu preço para ossos e articulações. A animação inicial, que se pode levar o corredor a abusar do organismo para superar seus limites, por exemplo, estar entre as principais causas de lesões. Isso por que, segundo o ortopedista Arnaldo Hernandez, Presidente da Sociedade Brasileira de Medicina do Exercício, o sistema cardiorespiratório se adapta mais rapidamente a mudanças do que o sistema músculo-esquelético. Enquanto o coração se fortalece com um a três meses de treinamento, o sistema músculo-esquelético, leva de 6 a 12 meses. Com mais fôlego e mais musculatura, muitos corredores acabam exigindo demais de ossos e articulações, podendo ocorrer lesões. Este risco é semelhante ao overtraining-ou excesso de treino para indivíduos de nível avançado. Apesar de estarem com seu sistema cardiovascular e músculo-esquelético equilibrados e prontos para receber treinos intensos, sofrem lesão pelo uso abusivo e demasiado do esforço físico.
Cerca de 70% das lesões esportivas atingem os membros inferiores, justamente os mais exigidos durante a corrida. São os grandes traumas, causados por movimentos de grande energia, como uma queda ou uma pisada em falso. Ou as lesões chamadas de microtraumáticas, mais frequentes, que se originam de uma soma de esforços na mesma região. É o caso das tendinites, inflamações em ligamentos e desgastes da cartilagem. Fraturas por stress podem acometer tanto os ossos das pernas como os dos pés. Nos músculos, a síndrome compartimental por esforço, quando eles crescem mais do que a bainha que os envolve, é outro motivo de dor.
Algumas atitudes ajudam a previnir o aparecimento de lesões. A primeira medida é elaborar um programa de treinamento, que respeite os limites individuais, fortalecer a musculatura e realizar alongamentos apropriados. Os exercícios precisam ser executados corretamente, orientados por treinadores e a intensidade do programa deve ser respeitada. A alimentação equilibrada é obrigatória. A prática deve ser feita com material adequado e em locais recomendados, como parques. Tem-se de tomar cuidado com supertreinamento e valorizar o período de recuperação após o treino ou competição.
Uma vez presentes, as lesões podem ser tratadas com medicamentos, fisioterapia e, em último caso cirurgia.
Fonte: Revista ISTO É, nº 2052, de 11/03/2009
Autora: Vania Lucia Simões
Nenhum comentário:
Postar um comentário